sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CANTO GREGORIANO



O canto gregoriano é um género de música vocal monofónica, monádica (só uma melodia), não acompanhada, ou acompanhada apenas pela repetição da voz principal com o organum, com o ritmo livre e não medido, utilizada pelo ritual da liturgia católica romana, a ideia central do cantochão ocidental.
Contudo o adjectivo gregoriano só lhe foi atribuído após a reforma implementada no final do séc. VI, reordenando as liturgias da missa e do oficio divino e dando-lhe a forma que sobreviveu quase inalterada até aos nossos dias.
As características foram herdadas dos salmos judaicos, assim como dos modos (ou escalas, mais modernamente) gregos, que no século VI foram seleccionados e adaptados por Gregório Magno para serem utilizados nas celebrações religiosas da Igreja Católica.

Desde o seu aparecimento que a música cristã foi uma oração cantada, que devia realizar-se não de forma puramente material, mas com devoção. O texto era, pois, a razão de ser do Canto Gregoriano
Assim, o canto Gregoriano jamais poderá ser entendido sem o texto, o qual tem primazia sobre a melodia, dando-lhe sentido. Por isso, os cantores devem compreender bem o seu sentido antes de o interpretar.
O cântico gregoriano foi o mais antigo rico e artístico do manancial melódico medieval. Dele derivou a música erudita cristã e foi a base da tradição musical até ao Barroco.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ESTILO MOÇÁRABE

arte moçárabe foi produzida pelos cristãos peninsulares que viviam em território muçulmano, submetidos ao califa. Desenvolveu-se entre os sécs. IX e XI, recebendo influências artísticas Hispano-visigóticas, asturianas e califais (muçulmanas).

Arquitectura

arquitectura moçárabe é caracterizada principalmente pela construção de igrejas. Estas eram feitas em pedra, com aparelho de boa silharia, por vezes alvenaria e tijolo; possuíam plantas de cabeceira recta e absides contrapostas; utilização de arcos em ferradura, de inspiração califal, com moldurarão rectangular e decoração com motivos vegetalistas e geométricos; uso de coberturas de abóbadas ou planas e em madeira, cobertas com telhados de duas águas.

Escultura
Na escultura moçárabe predominam os relevos, uma vez que a estatuária foi praticamente banida pelo retrocesso técnico e pela tendência anti-icónica da época. Estes foram usados, quase que exclusivamente, na decoração dos modilhões dos beirais dos telhados, dos capitéis e aras de altar. Caracterizam-se pelos motivos geométricos, motivos naturalistas como videiras e motivos figurativos como pássaros ou figuras humanas com gestos de bênção;
- Para além dos relevos foi também produzida uma arte móvel que se traduziu em trabalhos de metal (cálices, cruzes de altar...) com uma técnica de fino cinzelado, semelhante à da filigrana.


Pintura 
 pintura moçárabe é a arte mais difícil de caracterizar pelos poucos trabalhos que chegaram até aos nossos dias.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

E AINDA OS MONGES COPISTAS


A PROPÓSITO DE PEREGRINAÇÕES - SANTIAGO DE COMPOSTELA

Santiago de Compostela ainda hoje é local de peregrinação.


O Peregrino




Segundo a tradição medieval, o nascimento da cidade de Santiago de Compostela
está ligado à descoberta dos restos mortais do Apóstolo Santiago entre 820 e 835.

Parece que um eremita, de nome Paio, alertado por luzes nocturnas, que se avistavam num bosque próximo, avisou o bispo Teodomiro e descobriram os restos de Santiago Maior no lugar onde, posteriormente se levantaria Compostela, topónimo que poderia derivar de Campus Stellae ("campo de estrelas") ou de Composita Tella ("terras bem ajeitadas", eufemismo para cemitério).


Escadas do mosteiro de Santiago de Bonaval (atual Museu do Povo Galego)


A descoberta foi aproveitada por Afonso II das Astúrias que, necessitando de coesão interna e apoio externo para o seu reino, tratou de anunciar o novo local de peregrinação da cristandade,


num momento em que a importância de Roma decaíra e Jerusalém deixara de estar acessível por ter caído nas mãos dos muçulmanos.
Pouco a pouco a cidade foi-se desenvolvendo com uma comunidade eclesiástica permanente e com a vinda de populações de aldeias próximas, que aumentaram devido ao crescente número de peregrinos vindos de todo o ocidente peninsular.
Em 997 a cidade foi destruída por Almansor, mas em meados do século XI os cristãos, liderados pelo bispo da cidade, construíram uma cintura de fossos e muralhas defensivas para evitar novas invasões.




A catedral começou a ser construída em 1075, tendo imediatamente provocado um aumento de peregrinações a Compostela, que passou a ser um lugar de referência religiosa na Europa.


A chegada da Peste Negra à cidade provocou uma forte recessão demográfica, só recuperando população a partir de 1380. No século XV tinha 5 mil ou 6 mil habitantes.

A fundação da Universidade no século XVI deu um novo impulso à cidade que, apesar de ter perdido alguma importância, se tem mantido como pólo religioso muito procurado por peregrinos de todo o mundo, fazendo questão, muitos deles, em percorrer a pé parte do Caminho Francês (o mais conhecido e também aquele que providencia mais apoios ao peregrino viajante).

As grandes festas da cidade decorrem ao longo do mês de Julho com o seu apogeu no dia 24, dia do Apóstolo Santiago.