Blog de HCA da turma 2P3 do Curso Profissional Técnico de Multimédia da Escola Secundária Leal da Câmara
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
A PROPÓSITO DA ROMANIZAÇÃO DA PENÍNSULA IBÉRICA - UM EXEMPLO PORTUGUÊS: CONÍMBRIGA
Nos últimos anos antes de Cristo, os romanos apoderaram-se do Castro de Conímbriga e fundaram aqui uma cidade. Não há muitas informações sobre a população que os romanos encontraram. Porém à escassez destes, opõem-se abundantes vestígios do período romano e dos que se lhe seguiram. Os romanos adaptaram o seu urbanismo geométrico à povoação pré-existente e construíram um aqueduto, um forum, termas... Dotaram a cidade de casas ricamente construídas e decoradas , as domus, com avançados sistemas de canalização e esgotos e também de bairros habitacionais e comerciais, as insulae. A cidade foi toda demarcada por uma vasta muralha.
Com a passagem de civitates a municipium, por volta de 70-80, a cidade foi enobrecida, o forum foi ampliado e consagrado ao culto imperial e as termas foram substituídas por outras de maior grandeza.No século III, surgem rumores de ataques ao Império por parte dos povos bárbaros. Em Conímbriga constrói-se uma muralha que corta parte da cidade. Esta muralha tem um objectivo claramente defensivo e na sua construção foram utilizados materiais retirados de edifícios abandonados.
A cidade sobrevive até finais do século VI, mas acaba por sucumbir às mãos dos bárbaros e da falta de água, transferindo-se a sede de bispado, que entretanto se instalara após a oficialização do cristianismo como religião oficial do Império, para Aeminium. O próprio nome se desloca e transforma-se em Colimbria e, mais tarde, em Coimbra.
Da visita destaca-se:
O forum é um conjunto monumental constituído por uma série de construções com funções específicas - praça pública, templo, mercado, tribunal ... - construído no tempo do Imperador Augusto. Coexistiu com o bairro indígena, cujos vestígios ainda se podem observar a norte do templo sob estruturas actuais. O segundo forum data dos finais do século I. Foi em parte construído sobre o anterior e dedicou-se exclusivamente à função religiosa do culto imperial.

Esta tentativa de reconstrução do forum permite ter uma ideia das proporções do espaço e da altura das colunas dos pórticos.
O centro monumental das termas do Sul: são duas construções sobrepostas. Trata-se de um balneário do tempo de Augusto com frigidário (frigidarium), tepidário (tepidarium) e caldário (caldarium) e outros banhos maiores do período entre Flávio e Trajano, onde sobressaiem a piscina (natatio) e o ginásio (palestra).
A reconstrução da natatio.

Este era o espaço da palestra antes desta reconstrução, que apesar de parecer bem na foto, deixa muito a desejar.
Instalações das antigas termas.
Vejam só a extensão da "moradia" nesta vista aérea, bem encostadinha à muralha
A muralha e as casas junto a esse sector da cidade
Altas muralhas de 6 metros de altura e 4 metros de grossura!
O sector junto ao aqueduto, onde se pensa terem existido lojas e e até uma estalagem que dava apoio aos que estavam de passagem na estrada para Aeminium
Casa dos Repuxos: casa de peristilo central com lago ajardinado, construída na primeira metade do século II. Pena os repuxos estarem desligados.
Um exemplo dos bonitos mosaicos, feitos com pequenos cubos (tesselas) de calcário, mármore ou vidro. Existem mosaicos geométricos, florais e figurativos.
Esta é uma vista do site arqueológico em que podemos observar a sua localização privilegiada no topo de um promontório rochoso, bem como a área escavada actualmente. Como podemos ver, a grande maioria do terreno está por escavar. Que mais vestigios ainda se poderão encontrar sob toda aquela terra?
A visita de estudo a Conímbriga não pode estar completa sem uma visita ao respectivo Museu Monográfico
E visitamos a reconstrução do peristilo de uma domus romana

A ARQUITECTURA ROMANA
As principais características da arquitectura romana:
- É uma arquitectura caracterizada pela monumentalidade, não só pelo o espaço que ocupa, mas também pelo seu significado. Isto decorre também da ideia da imortalidade do Império.
- É uma arquitectura utilitária, prática, funcional, ou seja, de sentido pragmático. Por esta razão e também pela própria estrutura do Estado, aparecem novas construções, com um grande desenvolvimento da arquitectura civil e militar: basílicas, termas, etc.
- É uma arquitectura dinâmica, resultado da utilização de alguns elementos construtivos como o arco e a abóbada.
- Os materiais utilizados são muito variados: pedras cortadas em blocos, argamassa, tijolo, alvenaria, madeira… Quando o material era pobre eram muitas vezes revestidos com estuque, lajes de mármore ou ornamentados com mosaicos ou pinturas.
- Usa a ordem dórica, jónica e coríntia, mas a mais usada foi a ordem compósita. Também foi muito frequente a sobreposição das ordens arquitectónicas em edifícios muito altos. Normalmente no andar térreo era usada a ordem dórica, no meio a jónica e, no superior, a coríntia. Os capitéis, em geral, apresentam motivos com maior liberdade do que na Grécia e há alguns com figuração. Aparecem grinaldas e bucranios (crânio de cabeça de boi que muitas vezes adornava a métopa da ordem dórica) como elementos decorativos.
Principais diferenças entre a Arquitectura Romana e a Grega:
- A romana é uma arquitectura mais ornamentada.
- A novidade dos temas decorativos.
- Maior perfeição dos monumentos.
- Os edifícios têm um grande utilitarismo (pragmatismo).
- A arquitectura é essencialmente civil e militar, em comparação com a arquitectura essencialmente religiosa na Grécia.
- Trata-se de uma arquitectura mais dinâmica face à grega, mais estática.
- O arco, a abóbada e a cúpula são mais frequentemente utilizados, face ao lintel da Grécia.
Apesar destas diferenças, existem muitas semelhanças com a arte grega, pois Roma assimilou numerosos elementos artísticos e arquitectónicos dos países que incorporava no seu Império. Também era frequente empregar artistas nascidos e formados noutras regiões, sendo os principais originários da Grécia.
QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO
Como não nos podemos deslocar a Espanha para visitar os vestígios da capital da província romana da Lusitânia (Emérita Augusta), aqui ficam algumas imagens para poderem apreciar a sua monumentalidade.
Várias perspectivas do fantástico teatro, onde hoje ainda se realiza o Festival de Teatro Clássico de Mérida, no Verão entre Junho e Julho;
Várias perspectivas do fantástico teatro, onde hoje ainda se realiza o Festival de Teatro Clássico de Mérida, no Verão entre Junho e Julho;



Os monumentais aquedutos que transportavam a água para o abastecimento da cidade;


O que resta do circo;

Diferentes perspectivas do anfiteatro;


O que resta de uns sanitários públicos nas imediações do anfiteatro e do teatro;

A imponente ponte romana sobre o Guadiana, que teve circulação automóvel até há bem pouco tempo atrás;

Perspectiva do fabuloso Museu Romano de Mérida.

EMÉRITA AUGUSTA (MÉRIDA) UM EXEMPLO DO URBANISMO ROMANO
Planta-tipo de uma cidade romana
A urbe está rodeada de uma muralha (com torres de vigia) e tem planta rectangular. A cidade divide-se em módulos, separados entre si por ruas paralelas de dimensões iguais. Duas ruas, no entanto, têm dimensões maiores: o Cardo (sentido N-S) e o Decumanus (sentido E-O), desembocando cada uma delas nas quatro portas da cidade. No local em que estas duas ruas se cruzam fica o fórum e o mercado, ou seja: os espaços e edifícios mais importantes.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
O PRAGMATISMO DA CULTURA ROMANA: O TRAÇADO URBANÍSTICO E OS EDIFÍCIOS
Mais centralizada do que a cidade grega, organizava-se em torno de um fórum;
• FÓRUM: centro administrativo e religioso da cidade romana, era uma grande praça pública e centro da vida pública (política, religiosa, comercial); tinha forma rectangular, com uma área destinada a reuniões ao ar livre, rodeada de colunatas e de edifícios religiosos e administrativos;
• Dos vários edifícios do Fórum, destacam-se:
- a Cúria: onde se reunia o Senado (conselho de notáveis que governavam a cidade);
- a Basílica: servia de tribunal público e de sala de reuniões;
• No fórum e suas imediações erguiam-se os principais templos da cidade (a tríade nacional – Júpiter/Juno/Minerva – simbolizava a presença e poder dos Romanos, no templo do Capitólio);
Foram acrescentados novos espaços ao velho fórum romano, os fóruns imperiais, o que mostra o gosto pela monumentalidade que reflectia a glória de Roma e dos seus imperadores. Esse gosto está patente em quase todo o tipo de construções:
• Bibliotecas e mercados públicos – situados junto aos fóruns;
• Termas – estabelecimentos de banhos públicos, dotados de salas de temperaturas diferentes, vestiários, piscinas de água quente e fria, palestras (onde se praticava ginástica), salas de descanso, de massagens, de reuniões. Para além da higiene, o banho era um momento cultural e civilizacional;
• Aquedutos – para conduzir a água dos reservatórios naturais até aos fontanários públicos e às casas particulares;
• FÓRUM: centro administrativo e religioso da cidade romana, era uma grande praça pública e centro da vida pública (política, religiosa, comercial); tinha forma rectangular, com uma área destinada a reuniões ao ar livre, rodeada de colunatas e de edifícios religiosos e administrativos;
• Dos vários edifícios do Fórum, destacam-se:
- a Cúria: onde se reunia o Senado (conselho de notáveis que governavam a cidade);
- a Basílica: servia de tribunal público e de sala de reuniões;
• No fórum e suas imediações erguiam-se os principais templos da cidade (a tríade nacional – Júpiter/Juno/Minerva – simbolizava a presença e poder dos Romanos, no templo do Capitólio);
Foram acrescentados novos espaços ao velho fórum romano, os fóruns imperiais, o que mostra o gosto pela monumentalidade que reflectia a glória de Roma e dos seus imperadores. Esse gosto está patente em quase todo o tipo de construções:
• Bibliotecas e mercados públicos – situados junto aos fóruns;
• Termas – estabelecimentos de banhos públicos, dotados de salas de temperaturas diferentes, vestiários, piscinas de água quente e fria, palestras (onde se praticava ginástica), salas de descanso, de massagens, de reuniões. Para além da higiene, o banho era um momento cultural e civilizacional;
• Aquedutos – para conduzir a água dos reservatórios naturais até aos fontanários públicos e às casas particulares;
• Anfiteatros – local de diversão, palco de lutas com animais selvagens e com gladiadores; o mais conhecido é o Coliseu de Roma (séc. I);
• Circos – onde se realizavam as corridas de cavalos e de carros;
• Teatros – ao ar livre, onde se representavam as tragédias e comédias;
• Circos – onde se realizavam as corridas de cavalos e de carros;
• Teatros – ao ar livre, onde se representavam as tragédias e comédias;
• Casas de habitação – de dois tipos:
- a domus: casa particular, onde moravam os cidadãos mais ricos (em Roma, espalhavam-se pelas colinas), com jardim interior, atrium, piscina e outras comodidades;
- a insula – casa colectiva alugada, lembrando os actuais imóveis, alta e frágil, construída em tijolo e madeira, que ruía com frequência ou era vítima de incêndios.
- a domus: casa particular, onde moravam os cidadãos mais ricos (em Roma, espalhavam-se pelas colinas), com jardim interior, atrium, piscina e outras comodidades;
- a insula – casa colectiva alugada, lembrando os actuais imóveis, alta e frágil, construída em tijolo e madeira, que ruía com frequência ou era vítima de incêndios.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
terça-feira, 6 de novembro de 2012
A IMPORTÂNCIA DAS VIAS ROMANAS NA UNIFICAÇÃO DO IMPÉRIO
As estradas romanas
A construção das calçadas romanas da rede oficial devia-se à iniciativa das autoridades imperiais e estavam sob a direcção do exército, mas eram executadas à custa e com o trabalho das comunidades tribais e locais por cujo território transitavam.
Em primeiro lugar, era planificado o traçado, em segundo lugar, era aberta a caixa da via e, a seguir, eram construídos os muros, parapeitos, vaus e pontes e a fixação de marcos miliários em cada uma das milhas estabelecidas. Contudo, não só era necessário construir, como também conservar as vias ano após ano, daí os numerosos testemunhos dos vários imperadores romanos.
O DIREITO ROMANO NA UNIFICAÇÃO DO IMPÉRIO
O Direito romano foi um dos maiores agentes da romanização ao conceder a cidadania romana, por etapas, a todos os habitantes do Império.
O Título de “cidadão romano” conferia, juridicamente, vários direitos distintos:
Possuir e transmitir propriedade;
Proceder a uma acção judicial;
Contrair matrimónio legítimo;
Participar do sacerdócio;
Direito de voto nas assembleias;
Proceder a uma acção judicial;
Contrair matrimónio legítimo;
Participar do sacerdócio;
Direito de voto nas assembleias;
Ser elegível para as magistraturas (e para o Senado).
O CULTO IMPERIAL NA UNIFICAÇÃO DO IMPÉRIO
O culto imperial em Conímbriga
«Culto Imperial
O fórum foi o polo central do culto imperial na cidade. Este culto era, por sua vez, o elemento essencial de agregação política e ideológica das cidades com Roma.
Uma das formas mais efectivas de promoção do culto imperial era a sua associação a cultos estabelecidos, mediante a invocação de outros deuses com o epíteto de Augusto: conhecem-se assim em Conimbriga dedicatórias a Apolo, Augusto e a Marte Augusto; mas o mesmo epíteto se podia aplicar a divindades indígenas de natureza desconhecida como os Remetes.
O culto imperial, todavia, não dispensava a devoção directa ao Imperador, aos seus ancestrais divinizados e aos outros elementos da sua família.
A primeira imagem imperial existente em Conimbriga terá sido uma figura togada de Caio, chamado Calígula, que reinou entre 37 e 41, morrendo vítima de uma conspiração, tendo-se procedido à chamada “damnatio memoriae”, o que terá acarretado que a estátua teve de ser retrabalhada no sentido de a fisionomia do imperador louco ser substituída pela do seu respeitabilíssimo avô Augusto.»
O fórum foi o polo central do culto imperial na cidade. Este culto era, por sua vez, o elemento essencial de agregação política e ideológica das cidades com Roma.
Uma das formas mais efectivas de promoção do culto imperial era a sua associação a cultos estabelecidos, mediante a invocação de outros deuses com o epíteto de Augusto: conhecem-se assim em Conimbriga dedicatórias a Apolo, Augusto e a Marte Augusto; mas o mesmo epíteto se podia aplicar a divindades indígenas de natureza desconhecida como os Remetes.
O culto imperial, todavia, não dispensava a devoção directa ao Imperador, aos seus ancestrais divinizados e aos outros elementos da sua família.
A primeira imagem imperial existente em Conimbriga terá sido uma figura togada de Caio, chamado Calígula, que reinou entre 37 e 41, morrendo vítima de uma conspiração, tendo-se procedido à chamada “damnatio memoriae”, o que terá acarretado que a estátua teve de ser retrabalhada no sentido de a fisionomia do imperador louco ser substituída pela do seu respeitabilíssimo avô Augusto.»
Fonte: Conímbriga
AINDA A PROPÓSITO DOS LEGIONÁRIOS
Este pequeno excerto da série de televisão "Roma" mostra em cerca de um minuto as bases da organização das legiões: disciplina, organização e domínio das técnicas/tácticas de combate.
LEGIONÁRIOS E ACAMPAMENTOS
"O exército romano encontrava-se muito bem organizado, ainda que a sua estrutura tenha mudado ao longo dos tempos. Na época de Júlio César, a unidade mínima era a centúria, composta por 80 homens e comandada por um centurião. Duas centúrias eram um manípulo e três manípulos compunham uma coorte com 480 legionários. Uma legião era constituída por dez coortes, que em batalha formavam três filas.
O equipamento básico de um legionário era composto por um elmo, um protector dorsal ou cota de malha, um escudo circular ou rectangular, uma adaga, uma espada e uma lança.
As legiões montavam acampamentos sempre da mesma forma, ainda que o tamanho variasse consoante se destinasse a uma coorte, uma legião ou várias.
Se o exército ficava estacionado durante muito tempo, o acampamento convertia-se em semi-permanente ou permanente (aquartelamento), sendo montado com materiais mais resistentes e duradouros. Rodeado por um fosso e um muro de planta rectangular, era cruzado por duas vias que davam acesso a quatro portas. Os seus pontos principais eram o praetorium, onde se localizava o Estado Maior, e o forum onde se reuniam os legionários em parada. As legiões dispunham-se em fileiras paralelas de tendas, em cujas pontas ficavam as dos centuriões.
Os legionários ingressavam no exército, após um período de instrução militar, onde serviam durante vinte anos.
Os acampamentos dos legionários, espalhados pelo Império, asseguravam a protecção das províncias de tão vasto território (que abarcava 60 milhões de habitantes)."
Fonte: arteHistoria
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