quarta-feira, 24 de abril de 2013

TRIBUTO AOS HOMENS DA RENASCENÇA - ARTISTAS E INTELECTUAIS



ORIENTAÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DA APRESENTAÇÃO INDIVIDUAL SOBRE UM ARTISTA DO RENASCIMENTO


Aqui ficam algumas orientações quanto à realização da apresentação individual sobre um artista do Renascimento:

  • realizar pequena biografia do autor, apenas com dados fundamentais sobre a sua vida e obra;
  • destacar algumas das suas principais obras; 
  • escolher uma obra (a que mais gostarem ou que considerem mais importante) e analisá-la. Ao realizar a análise devem destacar os elementos presentes que tornam aquela obra característica do período em estudo (Renascimento).
Não esquecer que todas as obras apresentadas à turma devem ser devidamente identificadas.
No caso das pinturas e esculturas analisadas deverão, ainda, clarificar o título/ tema abordado, bem como as técnicas utilizadas na sua realização (principalmente na pintura). 
Se possível, referir as dimensões, a data e o local da sua produção, quem a encomendou e onde se encontra na actualidade.
Não esquecer também (principalmente na pintura), sempre que possível, analisar o seu conteúdo e o seu sentido simbólico.

Agora vamos lá trabalhar que o tempo passa a correr!

O RENASCIMENTO EM PORTUGAL


Renascimento é um fenómeno contemporâneo dos Descobrimentos e desenvolveu-se em intima ligação com a empresa ultramarina nacional. Todavia, a arte renascentista só tardiamente chega a Portugal e, de início, apenas através de elementos decorativos associados às estruturas do gótico final. No nosso País, porém, este estilo desenvolveu características ornamentais próprias, definindo entre finais do século XV e inícios do século XVI, uma arte frequentemente denominada como manuelino ou gótico-manuelino.
Estilo Manuelino é um estilo arquitectónico, escultórico e de arte móvel que se desenvolveu no reinado de D. Manuel I e prosseguiu após a sua morte, ainda que já existisse desde o reinado de D. João II. É uma variação portuguesa do Gótico final, bem como da arte luso-mourisca ou arte mudéjar, marcada por uma sistematização de motivos iconográficos próprios, de grande porte, simbolizando o poder régio. O Estilo desenvolveu-se numa época propícia da economia portuguesa e deixou marcas em todo o território nacional.




quinta-feira, 21 de março de 2013

ARTE GÓTICA



VAMOS FAZER O PONTO DA SITUAÇÃO - IDEIAS PRINCIPAIS


  • Entre os séculos XI e XIV a população europeia quase duplicou, em grande parte devido à melhoria das condições climáticas e ao ambiente de paz e de segurança;
  • O aumento da população fez-se a par do alargamento das áreas de cultivo e das melhorias técnicas na agricultura. Daí o aumento da produção agrícola e a diminuição dos períodos de fome;
  • O comércio cresceu impulsionado pelo aumento da produção agrícola e artesanal, pela melhoria das vias de comunicação e dos transportes terrestres e marítimos;
  • A par da intensificação do comércio, surgiram mercados e feiras, o que levou ao crescimento das cidades;
  • O afluxo de comerciantes e artesãos aos "burgos" fez surgir um novo grupo social - a burguesia;
  • O poder local da nobreza feudal e do clero enfraquece enquanto os reis, apoiando-se na burguesia, fortalecem e centralizam o seu poder político;
  • A Itália, a Flandres e o Norte da Alemanha eram as regiões mais desenvolvidas da economia europeia;
  • A via terrestre mais utilizada no comércio da Europa passava pelas feiras da região de Champagne (França);
  • A via marítima mais importante ligava as cidades costeiras do Mediterrâneo ao Mar do Norte, por onde circulavam produtos muito diversos como especiarias e sedas do Oriente, produtos de luxo italianos, tecidos da Flandres, peles e madeiras do Norte da Europa;
  • Os grandes vultos da cultura medieval eram, em geral, membros do clero;
  • A poesia ocupou um lugar importante na literatura medieval (principalmente ibérica);
  • As produções em prosa eram, tais como as de poesia, muito apreciadas pela nobreza (romances de cavalaria);
  • Contrariamente ao que aconteceu até ao século XII, em que os mosteiros eram centros de cultura - com as suas escolas monásticas, os seus centros de estudos e produção de livros (scriptorium com respetivos copistas e bibliotecas) - cultura monástica, com a reanimação do comércio e das cidades as cortes régias e senhoriais tornaram-se mais animadas e elegantes, com saraus animados por jograis e trovadores, tornando-se nos novos centros de cultura e divulgação de cantigas de amor, de amigo e  romances de cavalaria - cultura cortesã;
  • É por esta altura que a Igreja inicia um processo de renovação com a criação de novas ordens religiosas (século XIII) como a dos Franciscanos e a dos Dominicanos;
  • Os frades mendicantes instalaram-se nas cidades onde levavam uma vida humilde em defesa dos desprotegidos;
  • Na mesma época nasceram e expandiram-se novas escolas, junto das catedrais ou com carácter mais autónomo - Os Estudos Gerais e Universidades;
  • Em Portugal, o Estudo Geral foi criado em 1290 (em Lisboa) no reinado de D. Dinis;
  • Entre os finais do século X e o século XIII, a Europa rural cobriu-se de igrejas e mosteiros em estilo românico - igejas com planta em cruz latina, paredes grossas e com poucas aberturas, com arcos de volta perfeita, abóbadas de berço e contrafortes; 
  • Quanto à pintura e à escultura, representavam cenas religiosas e estavam ao serviço da Igreja, sendo um meio de doutrinar as populações analfabetas;
  • Em Portugal, o românico predomina no Norte e no Centro, surgindo em pequenas igrejas rurais e nas catedrais de Braga, Porto, Coimbra, Lisboa e Évora. 

sexta-feira, 15 de março de 2013

MÚSICA MEDIEVAL

A vida na época era complicada, como vocês já sabem e, entre guerras, doenças e falta de alimento havia que aproveitar todos os momentos de alegria. Não pensem que as pessoas daquela época não se divertiam, pelo contrário. E uma das provas disso é o desenvolvimento da música que começa a ter uma certa importância no quotidiano. Aqui fica alguma da música profana que se fazia naquela época.



Algumas delas eram feitas para dançar, como estas duas que se seguem, vejam lá se não apetece bater o pézinho:



Dois exemplos de instrumentos muito populares na Idade Média, particularmente entre as senhoras, a harpa e a dulcima:



Espero que tenham gostado desta viagem musical até à Idade Média.

CANTIGA DE AMIGO


quarta-feira, 13 de março de 2013

O AMOR CORTÊS E A SUA INFLUÊNCIA NA LITERATURA

Na vivência cortesã do quotidiano está presente o ideal cavaleiresco, conjugando a bravura e os costumes palacianos. Os cavaleiros ocupam o tempo com a caça e as justas, colocando à prova a sua destreza, procurando corresponder ao ideal de cavalaria: o cavaleiro tem de ser bom, justo, educado e refinado, capaz de amar delicadamente a sua dama. Para a educação deste cavaleiro muito contribuíram os romances de cavalaria, como " Le Roman de la Rose" (O Romance da Rosa) ou "Amadis de Gaula".
O amor cortês floresce nas cortes régias e senhoriais submetido a um conjunto de regras. Este é um amor essencialmente espiritual. A dama, por sua vez, deverá corresponder a um tipo idealizado - bela mas recatada. Ela é o motivo de inspiração.
poesia trovadoresca anima os serões com os seus versos cantados pelos jograis. É através dela que se propaga o amor cortês, elemento essencial da sociabilidade cortesã.

O IDEAL DE CAVALARIA E O AMOR CORTÊS

Os romances de cavalaria revelaram-se muito populares na Idade Média e neles se destacam os códigos de conduta medieval e cavaleiresca. Assim, o juramento da investidura do cavaleiro pressupunha um ideal tendente a desenvolver o misticismo e o espírito cristão, a fidelidade e a noção de honra e, ao mesmo tempo, a firmar os vínculos da sociedade feudal. 


"
Estes romances costumam agrupar-se em ciclos, sendo os mais conhecidos o ciclo carolíngio, com as aventuras de Carlos Magno e seus cavaleiros  na luta contra os mouros - destaca-se "La Chanson de Roland" (a Canção de Rolando); e o ciclo bretão, que conta as aventuras dos cavaleiros da Távola Redonda, reunidos em torno do rei Artur,  com a sua mítica espada - Excalibur - que lutam contra os Saxões e buscam o Santo Graal.
Para quem sentir curiosidade recomendo o visionamento do filme Excalibur.
Relacionado com este ciclo, surge-nos a história de Tristão e Isolda.



Tristão e Isolda é uma história lendária sobre o trágico amor entre o cavaleiro Tristão, originário da Cornualha (Grã-Bretanha), e a princesa irlandesa Isolda. De origem medieval, a lenda foi contada e recontada em muitas e diferentes versões ao longo dos séculos. O mito de Tristão e Isolda tem origem em lendas que circulavam entre os povos celtas do norte da Europa, ganhando forma escrita na segunda metade do século XII. A história de Tristão e Isolda foi amplamente difundida por toda a Europa nos séculos seguintes (por vezes misturada com as lendas do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda), terá inspirado William Shakespeare a escrever Romeu e Julieta, no século XVI, e deu origem a uma famosa ópera de Richard Wagner, no século XIX.

quinta-feira, 7 de março de 2013

A RELIGIOSIDADE MEDIEVAL E O ENSINO


A religiosidade medieval e o ensino

ARTE MUDÉJAR




Estilo artístico que se desenvolveu entre os séculos XII e XVI nos reinos cristãos da península Ibérica, que incorpora influências, elementos ou materiais de estilo Hispano-muçulmano.
Trata-se de um período da arte cristã no qual surge a decoração islâmica, que já era praticada pelos mudéjares (mouriscos), povos de religião e cultura islâmica que sobreviveram nos reinos cristãos após a Reconquista cristã dos seus territórios e que, mediante o pagamento de um imposto, conservaram o direito à prática da sua religião e um "status" jurídico próprio. Outros autores pretendem ainda que o estilo representa uma reacção cultural islâmica peninsular contra os estilos europeus que se afirmavam nos territórios reconquistados pelos cristãos.
A arte mudéjar não se constitui num estilo artístico unitário, apresentando características particulares em cada região. Nesse sentido, destacam-se o mudéjar toledano, o leonês, o aragonês e o andaluz.
Em Portugal também se conservam exemplos de arquitectura mudéjar, embora com menor intensidade e com uma decoração muito mais simples que em Espanha. 
Foi praticada sobretudo na Espanha pós-Reconquista pela abundante mão-de-obra moura e pelo seu peculiar sistema de trabalho que utilizava materiais mais baratos, acessíveis e de grande efeito ornamental (por exemplo o tijolo).
Na arquitectura mudéjar foram usados elementos estruturais tipicamente islâmicos como as torres-minaretes; os tectos com sistemas de armação em madeira, de tradição almóada; um fantástico trabalho de carpintaria; e composições formais e decorativas rítmicas.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CANTO GREGORIANO



O canto gregoriano é um género de música vocal monofónica, monádica (só uma melodia), não acompanhada, ou acompanhada apenas pela repetição da voz principal com o organum, com o ritmo livre e não medido, utilizada pelo ritual da liturgia católica romana, a ideia central do cantochão ocidental.
Contudo o adjectivo gregoriano só lhe foi atribuído após a reforma implementada no final do séc. VI, reordenando as liturgias da missa e do oficio divino e dando-lhe a forma que sobreviveu quase inalterada até aos nossos dias.
As características foram herdadas dos salmos judaicos, assim como dos modos (ou escalas, mais modernamente) gregos, que no século VI foram seleccionados e adaptados por Gregório Magno para serem utilizados nas celebrações religiosas da Igreja Católica.

Desde o seu aparecimento que a música cristã foi uma oração cantada, que devia realizar-se não de forma puramente material, mas com devoção. O texto era, pois, a razão de ser do Canto Gregoriano
Assim, o canto Gregoriano jamais poderá ser entendido sem o texto, o qual tem primazia sobre a melodia, dando-lhe sentido. Por isso, os cantores devem compreender bem o seu sentido antes de o interpretar.
O cântico gregoriano foi o mais antigo rico e artístico do manancial melódico medieval. Dele derivou a música erudita cristã e foi a base da tradição musical até ao Barroco.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ESTILO MOÇÁRABE

arte moçárabe foi produzida pelos cristãos peninsulares que viviam em território muçulmano, submetidos ao califa. Desenvolveu-se entre os sécs. IX e XI, recebendo influências artísticas Hispano-visigóticas, asturianas e califais (muçulmanas).

Arquitectura

arquitectura moçárabe é caracterizada principalmente pela construção de igrejas. Estas eram feitas em pedra, com aparelho de boa silharia, por vezes alvenaria e tijolo; possuíam plantas de cabeceira recta e absides contrapostas; utilização de arcos em ferradura, de inspiração califal, com moldurarão rectangular e decoração com motivos vegetalistas e geométricos; uso de coberturas de abóbadas ou planas e em madeira, cobertas com telhados de duas águas.

Escultura
Na escultura moçárabe predominam os relevos, uma vez que a estatuária foi praticamente banida pelo retrocesso técnico e pela tendência anti-icónica da época. Estes foram usados, quase que exclusivamente, na decoração dos modilhões dos beirais dos telhados, dos capitéis e aras de altar. Caracterizam-se pelos motivos geométricos, motivos naturalistas como videiras e motivos figurativos como pássaros ou figuras humanas com gestos de bênção;
- Para além dos relevos foi também produzida uma arte móvel que se traduziu em trabalhos de metal (cálices, cruzes de altar...) com uma técnica de fino cinzelado, semelhante à da filigrana.


Pintura 
 pintura moçárabe é a arte mais difícil de caracterizar pelos poucos trabalhos que chegaram até aos nossos dias.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

E AINDA OS MONGES COPISTAS


A PROPÓSITO DE PEREGRINAÇÕES - SANTIAGO DE COMPOSTELA

Santiago de Compostela ainda hoje é local de peregrinação.


O Peregrino




Segundo a tradição medieval, o nascimento da cidade de Santiago de Compostela
está ligado à descoberta dos restos mortais do Apóstolo Santiago entre 820 e 835.

Parece que um eremita, de nome Paio, alertado por luzes nocturnas, que se avistavam num bosque próximo, avisou o bispo Teodomiro e descobriram os restos de Santiago Maior no lugar onde, posteriormente se levantaria Compostela, topónimo que poderia derivar de Campus Stellae ("campo de estrelas") ou de Composita Tella ("terras bem ajeitadas", eufemismo para cemitério).


Escadas do mosteiro de Santiago de Bonaval (atual Museu do Povo Galego)


A descoberta foi aproveitada por Afonso II das Astúrias que, necessitando de coesão interna e apoio externo para o seu reino, tratou de anunciar o novo local de peregrinação da cristandade,


num momento em que a importância de Roma decaíra e Jerusalém deixara de estar acessível por ter caído nas mãos dos muçulmanos.
Pouco a pouco a cidade foi-se desenvolvendo com uma comunidade eclesiástica permanente e com a vinda de populações de aldeias próximas, que aumentaram devido ao crescente número de peregrinos vindos de todo o ocidente peninsular.
Em 997 a cidade foi destruída por Almansor, mas em meados do século XI os cristãos, liderados pelo bispo da cidade, construíram uma cintura de fossos e muralhas defensivas para evitar novas invasões.




A catedral começou a ser construída em 1075, tendo imediatamente provocado um aumento de peregrinações a Compostela, que passou a ser um lugar de referência religiosa na Europa.


A chegada da Peste Negra à cidade provocou uma forte recessão demográfica, só recuperando população a partir de 1380. No século XV tinha 5 mil ou 6 mil habitantes.

A fundação da Universidade no século XVI deu um novo impulso à cidade que, apesar de ter perdido alguma importância, se tem mantido como pólo religioso muito procurado por peregrinos de todo o mundo, fazendo questão, muitos deles, em percorrer a pé parte do Caminho Francês (o mais conhecido e também aquele que providencia mais apoios ao peregrino viajante).

As grandes festas da cidade decorrem ao longo do mês de Julho com o seu apogeu no dia 24, dia do Apóstolo Santiago.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

AS CRUZADAS





Conquista de Jerusalémcavaleiro_cruzadas1
As Cruzadas são tradicionalmente definidas como expedições de carácter “militar” organizadas pela Igreja Católica, para combaterem os inimigos do Cristianismo e libertarem a Terra Santa (Jerusalém) das mãos dos infiéis.
O movimento estendeu-se desde os fins do século XI até meados do século XIII. O termo Cruzadas passou a designá-lo em virtude dos seus adeptos (os chamados soldados de Cristo) serem identificados pelo símbolo da cruz bordado nas vestes. A cruz simbolizava o contrato estabelecido entre o indivíduo e Deus.

ORDENS MONÁSTICAS


[s_o_bento_de_n_rsia.jpg]
Estas ordens religiosas são constituídas por membros do clero regular.

Desde o início do Cristianismo existiram homens e mulheres que consagraram a sua vida a Deus. No final do Império Romano, muitos fiéis recém-convertidos abandonaram as suas casas, as suas cidades e refugiaram-se em lugares desertos ou mais isolados, de forma a levarem um modo de vida mais de acordo com aquilo que entendiam que era o modelo de vida de Cristo e dos primeiros cristãos. Por vezes, esses cristãos agrupavam-se em pequenas comunidades, para as quais se tornou necessário criar algumas regras de convivência, e até mesmo um modelo de sociedade que pudesse ser repetido noutros locais. Nasciam, assim, as primeiras ordens.
O primeiro grande codificador e fundador de uma ordem religiosa foi São Bento de Núrsia. A regra propagou-se e criaram-se dezenas de mosteiros por toda a Europa.

A regra era simples e cobria quase todos os aspectos da vida quotidiana de uma comunidade religiosa, definindo tempos de oração, tempos de trabalho, tempos de descanso, bem como os deveres mútuos, a resolução de conflitos, penas...
Posteriormente, outros fundadores foram adaptando a alterando a Regra de São Bento, criando novas comunidades e novas ordens.
A ordem de São Bento é uma ordem religiosa monástica católica que se baseia na observância dos preceitos destinados a regular a convivência comunitária. Foi composta no século VI, em 529 para a abadia de Montecassino, por Bento de Núrsia: a Regula Beneticti. Os monges desta ordem são conhecidos como beneditinos.

A "Regra" deixada por São Bento, tem por princípio fundamental Ora et labora, o que quer dizer "Reza e trabalha."
Os mosteiros beneditinos são sempre dirigidos por um superior que, dependendo da categoria do mosteiro, pode chamar-se de prior ou abade.

O ritmo de vida beneditino tem como eixo principal o Oficio Divino, também chamado de Liturgia das Horas, que se reza sete vezes ao dia, tal como São Bento havia ordenado. Juntamente com a intensa vida de piedade e oração, em cada mosteiro trabalha-se arduamente em diversas actividades manuais e agrícolas para o sustento e o auto-abastecimento da comunidade.
Na Idade Media os monges beneditinos usavam hábito preto, pelo que foram chamados de monges negros, em oposição aos cistercienses, que usam túnica e escapulário branco, denominados monges brancos.
Ao longo da sua história, a Ordem Beneditina passou por muitas reformas, talvez devido à decadência da disciplina no interior dos mosteiros. A primeira reforma importante teve lugar no século X, num mosteiro situado em Cluny (França), tornando-se de tal forma importante que durante grande parte da Idade Média muitos dos mosteiros beneditinos estavam sob o domínio de Cluny, que adquiriu grande poder económico e político e os seus abades chegaram a fazer parte das cortes imperiais e papais. Aliás, muitos Papas foram beneditinos vindos de mosteiros cluniacenses.
Tanto poder levou à decadência da reforma de Cluny, que encontrou substituta na reforma cistercience (de Cister - França), onde se fundou o primeiro mosteiro desta reforma. O principal objectivo da nova reforma era impor o regresso à vida contemplativa, sendo o seu principal impulsionador São Bernardo de Claraval (1090-1153), encarregue da fundação da abadia de Claraval (França), da qual foi abade durante cerca de 40 anos.
Bernardo de Claraval tornou-se no principal conselheiro dos Papas e muitos dos seus monges chegaram, igualmente a ocupar o cargo.

A EUROPA MEDIEVAL



Depois da queda do Império Romano do Ocidente, tem início uma época que se estende, em traços gerais, até ao ano 1000, e a que os historiadores convencionaram denominar Alta Idade Média.
A principal característica deste período é a fragmentação do território europeu, após a desintegração do mundo romano, surgindo inúmeros reinos liderados por povos germânicos (Bárbaros): francos, visigodos, ostrogodos, burgúndios...
Tradicionalmente considerou-se esta Europa da Alta Idade Média como um mundo regido pela barbárie e pela ignorância - uma idade das trevas. Esta visão formou-se, em grande medida, pela comparação entre este período e o do esplendoroso mundo romano, época de grande desenvolvimento da civilização ocidental.
Contudo, deslumbrados pelo mundo romano e pelas suas instituições , os povos bárbaros tentaram, à sua maneira, recuperar o legado latino, de tal forma que o extinto império romano seria sempre uma referência a alcançar.
Uma das tentativas de reconstrução do império romano foi levada a cabo por Carlos Magno, rei dos francos (século VIII), quando uniu sob a mesma coroa extensos territórios: as fronteiras do reino Franco estender-se-ão até à Península Ibérica e à Europa Central (Itália, Alemanha, Saxónia, Dácia...) chegando ao rio Danúbio. Daí o seu cognome Carlos Magnus (Grande), que se fez coroar como imperador, em Roma, pelo Papa Leão III, igualando-se aos imperadores do Oriente, assumidos como os autênticos herdeiros dos imperadores romanos.
Os seus projectos de criação de um grande império depararam-se, no entanto, com inúmeros problemas:
- primeiro, havia que contar com um novo poder (o da cruz), consolidado durante a última etapa do império romano: o Papado, cada vez mais poderoso, disputa com os príncipes cristãos o poder temporal (o deste mundo);
- por outro lado, no Oriente, mantém-se o verdadeiro herdeiro do império romano, denominado agora Bizantino, que alcança um grande desenvolvimento económico, político e cultural (principalmente no tempo de Justiniano, a idade de ouro bizantina). As relações entre Bizâncio e o Papado, disputando ambos o domínio sobre a cristandade, passarão por momentos de tensão e confronto;
- dividido entre vários poderes, o mundo cristão será obrigado a unir-se para fazer frente a uma ameaça comum: a expansão do Islão. A nova religião liderada por Maomé estende-se desde a Península Arábica tanto para Oriente, até à Índia, como para Ocidente, até às fronteiras do reino Franco. Na Península Ibérica, o mundo muçulmano terá uma definição própria, Al-Andaluz, criando um esplendoroso estado islâmico com capital em Córdova. A partir desse momento, e nos séculos seguintes, o Islão desempenhará um papel de relevo nas relações internacionais;
- a intenção de restaurar o esplendoroso passado romano chocará também com a multiplicidade de poderes existente. A nobreza feudal acumula os seus próprios poderes: domínios territoriais, exércitos próprios, alianças familiares, exploração das populações rurais em seu benefício. Perante os nobres, o poder do rei tem pouca base de sustentação, sendo considerado quase como o "primeiro entre iguais".
Perante a nobreza guerreira, numa época de grande servidão, o povo refugia-se na fé cristã, fortemente disseminada a partir dos inúmeros mosteiros criados de acordo com a Regra de São Bento. Verdadeiros oásis de paz num mundo em convulsão, seguindo a máxima "reza e trabalha" (ora et labora)  a leitura e o trabalho convertem-se em métodos de aproximação a Deus.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O FIM DO MUNDO ANTIGO



No processo de invasão e formação dos reinos bárbaros, deu-se ao mesmo tempo, a “barbarização” das populações romanas e a “romanização” dos bárbaros.
Na economia, a Europa adoptou as práticas económicas germânicas, voltadas para a agricultura, onde o comércio era de pequena importância.
Apesar de dominadores, os bárbaros não tentaram destruir os resquícios da cultura romana; ao contrário, em vários aspectos, assimilaram-na e revigoraram-na.
Isso deu-se, por exemplo, na organização política. Estes povos, que tinham uma primitiva organização tribal, adoptaram parcialmente a instituição monárquica e algumas normas da administração romana.
Muitos povos bárbaros adoptaram o latim como língua oficial.
Os novos reinos converteram-se progressivamente ao catolicismo e aceitaram a autoridade da Igreja Católica, à cabeça da qual se encontrava o bispo de Roma.
Com a ruptura da antiga unidade romana, a Igreja Católica tornou-se a única instituição universal europeia. Essa situação deu-lhe uma posição invejável durante toda a Idade Média.

OS REINOS BÁRBAROS


• Francos: estabeleceram-se na região da actual França e fundaram o Reino Franco;

• Lombardos: invadiram a região norte da Península Itálica;
• Anglos e Saxões: penetraram e instalaram-se no território da actual Inglaterra;
• Burgúndios: estabeleceram-se no sudoeste da França;
• Visigodos: instalaram-se na região da Gália, Itália e Península Ibérica;
• Suevos: invadiram e habitaram a Península Ibérica;
• Vândalos: estabeleceram-se no norte da África e na Península Ibérica;
• Ostrogodos: invadiram a região da actual Itália.